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Cresce o número de vítimas de picada de escorpiões em Fortaleza; saiba como se prevenir

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A cada ano, cresce o número de picadas de escorpiões em Fortaleza. Somente de janeiro a agosto deste ano, foram registrados 1567 casos, uma alta de 8,3% em relação a igual período do ano passado. Os dados são do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox).

O aumento no número de vítimas das picadas é fruto do crescimento populacional do animal. Foto: Cid Barbosa/Arquivo

Ao todo, foram registrados 2170 casos em 2018. A estimativa é que, para este ano, o número seja ainda maior. Além do aumento, uma nova espécie do animal, com poder maior de veneno, vem surgindo no Ceará.

Josy Miranda foi mais uma vítima de picada de escorpião. A jornalista de 25 anos é só mais uma na crescente lista de pessoas que foram picadas pelo animal peçonhento. Além disso, Josy não soube o que fazer após o incidente e onde fazer o tratamento. Porém, a falta de informação não se restringe à população.

“Estava em casa e liguei para o SAMU. Eles disseram que eu poderia ir ao Instituto Dr. José Frota (IJF) ou ao Frotinha do Antônio Bezerra. Fui primeiro ao Frotinha. Chegando lá, não fui atendida. Em seguida, fui ao São José, mas só no IJF fui atendida. Pela falta de informação, fiquei 1 hora buscando hospital, enquanto sofria com a dor”, afirmou a jornalista. O caso aconteceu no dia 26 de agosto.

Tratamento em Fortaleza

Em Fortaleza, apenas o IJF realiza tratamento de picadas de animais peçonhentos, através do Ceatox. Há 3 anos, outra unidade de tratamento foi desativada, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIAT), no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Conforme sua assessoria, o hospital é uma unidade terciária e que atende pacientes de alta complexidade, portanto não tem perfil para atendimento toxicológico.

Segundo o farmacêutico plantonista do Ceatox, Joaquim Gonçalves, há casos em que pacientes buscam 5 hospitais diferentes até chegar ao IJF. “O tratamento para picadas de animais peçonhentos é feito tanto no interior quanto aqui. As unidades básicas de tratamento são preparadas para intoxicações leves, inclusive para o escorpião. Para esse tipo de caso, essas unidades podem, perfeitamente, fazerem o primeiro atendimento, com o remédio analgésico, a fim de controlar a dor”, comentou o farmacêutico.
Aumento no número de picadas

Sobre o motivo do aumento no número de casos, o farmacêutico acredita que é algo relacionado ao crescente aumento no número de animais, devido a alterações na cadeia animal, a partir da utilização de inseticidas.

“Entendemos que a alteração da cadeia alimentícia, em qualquer fauna, até mesmo a peçonhenta, é importante. A quebra dessa cadeia sempre aumenta ou diminui uma determinada espécie. Os inseticidas não conseguem conter a proliferação dos escorpiões. Consequentemente, o número aumenta”, declarou.

Aparecimento de nova espécie de escorpião

Com o aumento, até espécies que não são comuns no Estado estão aparecendo. O tipo mais comum é o escorpião amarelo com listras. Mais recentemente, vem surgindo casos de picadas do escorpião amarelo com dorso escuro, mais letal e comum Sudeste e Centro-Oeste do País. “São similares, só o muda a cor do dorso”, diz o funcionário do Ciatox.

Apesar do alto índice de picadas, nenhuma morte foi registrada no Ceará. Ao todo, existem aproximadamente 1.600 espécies de escorpiões. No Brasil, foram encontradas 25, sendo que cinco delas possuem venenos letais.

Hábitos do animal e precaução

Josy Miranda foi picada no quintal de sua casa, no bairro Monte Castelo, e reconhece que as condições de sua casa não favoreciam para o controle do animal. “Fui picada no quintal da minha casa, com as luzes desligadas e com vários entulhos de madeira”, afirmou.

Atraídos por baratas, escorpiões escondem-se principalmente em espaços úmidos nas residências ou em restos de material de construção e pneus, assim, é importante manter o ambiente limpo. Foto: Natasha Mota

Para Milton Abreu, supervisor técnico de animais peçonhentos e animais sinantrópicos do Ministério da Saúde, responsável pelo controle de pragas do Centro de Zoonoses de Fortaleza, há muita confusão quanto a forma de lidar com o animal.

“Quando vou fazer a inspeção, aviso que não existe inseticida. Não existe veneno para combater escorpiões. Podemos apenas fazer a vigilância ambiental e eliminar tudo o que serve de habitat para o animal”, alerta o supervisor técnico.

Os escorpiões se alimentam de baratas, portanto, para evitar proliferação de escorpiões é necessário manter a casa limpa, seja no quintal ou interior da residência a fim de evitar o surgimento das baratas.

É preciso, também, uma atenção aos ralos dos banheiros, pois esses bichos têm hábitos noturnos e saem à procura de água. Por isso, ficam em locais úmidos, como pias, roupas ou sapatos.

“Ele pode ficar até um ano sem precisar se alimentar ou beber água. Diferentemente do imaginário popular, ele não morre com o próprio veneno, mas sim desidratado”, finaliza Milton Abreu.

Tratamento

Joaquim Gonçalves recomenda que o paciente que for picado por qualquer animal peçonhento procure um posto de saúde ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) o mais rápido possível. “O que contribui para a cura do paciente ou ao bom tratamento é o tempo de exposição, que é o tempo de contato com o agente até os primeiros socorros”, alertou.

Os sintomas mais frequentes em pacientes picados são fortes dores musculares, vômito, sudorese, salivação, tremores e dormência. Conforme Joaquim Gonçalves, os efeitos da picada do animal são piores em crianças e idosos. “Nessas faixas de idade, o veneno acaba apresentando maiores efeitos sistêmicos, como vômitos intensos, problemas cardiovasculares e dores localizadas mais fortes”, completa.

No hospital, o paciente recebe um analgésico para diminuir a dor. Para casos mais críticos, com risco de morte, é aplicado um soro antiescorpiônico.

Mais informações

> Saiba como combater escorpião e aranhas

Confira como proceder em casos de picada de escorpião:

– Lavar o local da picada de preferência com água e sabão
– Manter a vítima deitada, evitar que ela se movimente para não favorecer a absorção do veneno
– Se a picada for na perna ou no braço, mantê-los em posição mais elevada
– Não fazer torniquete: impedir a circulação do sangue pode causar gangrena ou necrose
– Não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção
– Não dar à vítima pinga, querosene ou fumo, como é costume em algumas regiões do país
– Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento em tempo
– Levar, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico
– Lembrar que nenhum remédio caseiro substitui o soro antipeçonhento

Fonte: HGF

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